Economia
Pacote de ajuda aos mercados será de US$ 700 bilhões
O pacote de ajuda ao setor financeiro de Wall Street que está sendo montado pelo governo de George W. Bush custará US$ 700 bilhões, segundo cópia da proposta legislativa obtida por agências de notícias.
A proposta, entregue neste sábado (20) ao Congresso dos Estados Unidos, também pede para que o limite de dívida do país suba para US$ 11,315 trilhões.
A proposta pode ser considerada pela Câmara dos Representantes e pelo Senado do país já na próxima semana.
"O pacote é grande porque o problema é grande", afirmou o presidente norte-americano George W. Bush neste sábado. "Vou trabalhar com democratas e republicanos para retirar nossa economia desta situação difícil e trazê-la de volta ao caminho de um crescimento de longo prazo", acrescentou.
Pacote
Ainda sem detalhes, o pacote foi anunciado na manhã de sexta-feira pelo secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, que afirmou então que o plano ficaria na casa das "centenas de bilhões de dólares".
O fundo que será criado será responsável por adquirir os créditos podres do mercado imobiliário – os empréstimos de alto risco que não vêm sendo pagos pelos mutuários. Segundo Paulson, há cerca de 5 milhões de americanos com problemas para pagar o financiamento ou que já tiveram os imóveis retomados pelos bancos.
Também na sexta-feira, Bush advertiu que "este é um momento-chave para a economia americana". "Vivemos um desafio sem precedentes e estamos tomando medidas sem precedentes", afirmou, em seu segundo pronunciamento sobre a crise dos mercados em dois dias. "A intervenção do governo federal é essencial."
O secretário do Tesouro vai trabalhar neste fim de semana com o Congresso "para examinar medidas que possam amenizar a pressão dos empréstimos ruins de nosso sistema, para que o crédito possa fluir novamente em direção aos consumidores e às empresas americanas".
Ajudas
Na noite de quinta-feira (18), o Tesouro e o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) já haviam anunciado que estudavam a criação do plano. A notícia provocou um rali nos mercados financeiros, que dispararam em todo o mundo.
Na véspera, os mercados já haviam mostrado reação positiva à injeção de US$ 180 bilhões na economia coordenada pelo Fed em conjunto com outros cinco bancos centrais do mundo.
Também na quinta, como parte das ações para controlar as turbulências do mercado, o Securities and Exchange Commission (SEC, órgão regulador do mercado norte-americano) proibiu a venda a descoberto dos ativos de 799 instituições financeiras. A ação visa, na prática, que os investidores estão proibidos de apostar nas baixas das companhias.
Mais cedo, o Tesouro anunciou a criação de um programa temporário de US$ 50 bilhões para dar sustentação ao setor de fundos mútuos de mercados monetários (dívida de curto prazo), respondendo às preocupações que a crise financeira global possam afetar estes ativos historicamente seguros.
Pelo programa, o Tesouro irá dar garantia aos ativos de qualquer fundo de mercados monetários oferecido publicamente.


