Economia
Lula diz que Brasil não pode ser vítima de 'cassino' da economia americana
Ao comentar a queda de mais de 10% na Bolsa de Valores de São Paulo nesta segunda-feira (29), após o Congresso dos Estados Unidos rejeitar o socorro de US$ 700 bilhões a bancos americanos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que os países emergentes não podem ser vitimas do "cassino" que foi montado na economia daquele país.
"Eles precisam ter responsabilidade porque os países emergentes e os países pobres que fizeram tudo para ter uma boa política fiscal, fizeram tudo para fazer a economia ter estabilidade, não podem agora ser vítimas do cassino que eles montaram na economia americana. Não é justo que países latino americanos, que países africanos, países asiáticos paguem pela irresponsabilidade do sistema financeiro americano", disse Lula, que comparou o sistema dos Estados Unidos ao do Brasil.
"Aqui no Brasil, quando se trata de financiamento de bancos de investimento, o banco não pode alavancar mais de dez vezes o seu patrimônio líquido. Nos Estados Unidos não tem limite".
O presidente disse que se reuniu nesta segunda com o ministro da Fazenda e que o governo está tranqüilo.
"Nós sabemos que a crise é grave, nós sabemos que vai diminuir o crédito no mundo mas nós estamos seguros de que as nossas exportações continuam indo bem, nossa indústria continua crescendo, temos projetos importantes do PAC, temos projetos importantes de infra-estrutura que não vamos paralisar, vamos continuar porque o Brasil não vai jogar fora essa oportunidade depois de tantos anos esperando para crescer".
Lula disse que o Brasil não pode agora, em função da crise americana, jogar fora as coisas que foram construídas com tanto sacrifício.
"Eu posso dizer para vocês que estamos conscientes do que está acontecendo no mundo. Tenho feito reuniões sistemáticas com o meu pessoal da área econômica, com o Banco Central, e estamos tranqüilos que vamos tocar o barco do jeito que a gente vem tocando. Afinal de contas, o Brasil não vai jogar fora essa oportunidade."
O presidente pediu que os Estados Unidos não deixem que a eleição presidencial prejudique o plano econômico.
"Está na hora do Congresso americano e do governo americano assumirem a responsabilidade que lhes cabe nessa história. Ou seja, não permitir que a disputa político eleitoral que vai se dar em novembro se dê na discussão do plano econômico. Eles criaram um rombo no sistema financeiro então têm que tapar esse buraco para deixar o mundo tranqüilo".
O presidente disse ainda que acredita que o projeto de socorro aos bancos não tenha passado no Congresso americano porque há quem queira "tirar proveito" da situação.
"Eu acho que foi rejeitado porque, nessas alturas do campeonato, tem gente tentando tirar proveito. Mas penso que a responsabilidade que os americanos têm diante do mundo vai obrigá-los a tomar uma posição definitivamente. Ali não existe meio termo: ou eles assumem a responsabilidade de cobrir o rombo que eles permitiram que fosse criado, ou vão criar uma crise muito séria no mundo inteiro", disse Lula.


