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23/05/2008 15h22

Era uma vez um jovem casal apaixonado.

A jovem carioca e o jovem piauiense se conheceram numa faculdade no Rio de Janeiro.

Ele formou-se em medicina, ela interrompeu os estudos e seguiu o coração rumo ao Piauí.

Casaram-se e foram morar na cidade mais bonita do Estado, Parnaiba.

Os quatro filhos nasceram. A mais velha seguiu a carreira do pai.

O Doutor ingressou na política de uma cidade interiorana, vizinha a cidade praiana.

Médico no interior é sempre bom de voto. O acesso aos serviços públicos de saúde sempre foi difícil.

Ele foi o mais votado nas eleições municipais mas a legislação eleitoral da época fazia uma soma de sublegendas e assim nem sempre o mais votado pela população era eleito.

Anos depois, Ele conseguiu se eleger prefeito.

A esposa administrava a cidade e a vida da família, mas perdeu o controle do marido.

O Viagra chegou e levou consigo o Doutor que já precisava desse recurso para satisfazer a vaidade de macho de relacionar-se com as jovens provincianas do interior.

O desmando não tinha sido apenas familiar, mesmo morto foi condenado a pagar vultuosa quantia aos cofres públicos.

A viúva já não tinha motivos para tanta saudade, achou injusto pagar pelo que não usufruíra sozinha.

Pensou e julgou ter encontrado uma alternativa esplêndida.

Passou os bens da família para a empregada doméstica que pelo menos na cozinha já fazia parte da família.

Que surpresa!

Ou, justiça divina!

Um dia, a filha médica, no hospital, onde trabalhava, foi obrigada a acreditar no destino.

A Empregada, dona de direito dos bens da família, morreu.

A família da Empregada nunca soube que fizesse parte de uma família tão rica, por isso não reconhece a obrigação de dividir os bens que pertencem a falecida.

O final desse conto, eu te conto, quando todos, afinal de contas, ajustarem as contas...