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23/05/2008 15h25

Era uma vez...

Um Jornalista que depois de atuar na capital federal, voltou a sua terra natal, Piauí, preferiu trabalhar em Teresina.

Jornalistas antigos gostaram, mas não entenderam a volta do amigo.

Comunicadores mais jovens aplaudiram. O Candango não era rico nem bonito, mas era solteiro, podia gastar o que ganhava, não precisava sustentar família, apenas os amigos mais próximos.

Um dia Ele apareceu morto.
Uma jornalista, mais Curiosa, não aceitou a justificativa de assalto, seguido de assassinato, foi ao apartamento térreo com entrada lateral.

O Jornalista estava trabalhando na assessoria de comunicação do governo, recentemente empossado. Todos os auxiliares queriam mostrar serviço e solidariedade, por isso tinha colegas da assessoria pública chegando ao local do crime.

Abriram a porta. A bíblia marcava o capitulo que fala da Justiça Divina. Sangue vindo para sala pelo corredor.

Alguém disse: “o pessoal da funerária tá pedindo uma roupa”. Como a família era do interior, era a oportunidade que a Curiosa queria para mexer no quarto do amigo falecido.

O terno era visto facilmente, pois não havia guarda-roupas. Para procurar meias, Ela mexeu em todas as gavetas e para procurar calçados olhou de baixo da cama.

Além de curiosa, Ela também era solidária, freqüentava o Lar da Fraternidade que cuida de portadores do HIV. Quando viu tantas embalagens do coquetel para aidéticos escondidas foi fácil concluir e despertar ainda mais curiosidade.

No dia seguinte, surpreendendo a Curiosa, os jornais publicaram a confissão do crime. Um menor infrator apareceu com a carteira e com a bicicleta do falecido.

Foi detido, é claro...

No domingo seguinte, o segundo do mês de maio, dia das mães, uma cela na casa de detenção de menores pegou fogo. Sete inocentes, vítimas de paternidade omissa, maternidade impotente, pobreza e violência social e urbana morreram queimados...

Um deles era o Réu confesso, eleito para o papel, por uma Inteligente Promotora do interior do Estado por sua família morar fora do Piauí, no Maranhão.

Ainda que anonimamente, fica o registro para que a omissão não me condene...

23/05/2008 15h22

Era uma vez um jovem casal apaixonado.

A jovem carioca e o jovem piauiense se conheceram numa faculdade no Rio de Janeiro.

Ele formou-se em medicina, ela interrompeu os estudos e seguiu o coração rumo ao Piauí.

Casaram-se e foram morar na cidade mais bonita do Estado, Parnaiba.

Os quatro filhos nasceram. A mais velha seguiu a carreira do pai.

O Doutor ingressou na política de uma cidade interiorana, vizinha a cidade praiana.

Médico no interior é sempre bom de voto. O acesso aos serviços públicos de saúde sempre foi difícil.

Ele foi o mais votado nas eleições municipais mas a legislação eleitoral da época fazia uma soma de sublegendas e assim nem sempre o mais votado pela população era eleito.

Anos depois, Ele conseguiu se eleger prefeito.

A esposa administrava a cidade e a vida da família, mas perdeu o controle do marido.

O Viagra chegou e levou consigo o Doutor que já precisava desse recurso para satisfazer a vaidade de macho de relacionar-se com as jovens provincianas do interior.

O desmando não tinha sido apenas familiar, mesmo morto foi condenado a pagar vultuosa quantia aos cofres públicos.

A viúva já não tinha motivos para tanta saudade, achou injusto pagar pelo que não usufruíra sozinha.

Pensou e julgou ter encontrado uma alternativa esplêndida.

Passou os bens da família para a empregada doméstica que pelo menos na cozinha já fazia parte da família.

Que surpresa!

Ou, justiça divina!

Um dia, a filha médica, no hospital, onde trabalhava, foi obrigada a acreditar no destino.

A Empregada, dona de direito dos bens da família, morreu.

A família da Empregada nunca soube que fizesse parte de uma família tão rica, por isso não reconhece a obrigação de dividir os bens que pertencem a falecida.

O final desse conto, eu te conto, quando todos, afinal de contas, ajustarem as contas...