Adultos, jovens, crianças e idosos. Nessa caminhada
o que faz diferença não é cor, credo ou
idade. Juntos eles somam mais de 60 mil pessoas percorrendo
avenidas, ruas, pontes. A travessia marcada ao passo da solidariedade
representa a esperança que faz acontecer. Já são
treze anos da Caminhada da Fraternidade, um evento que começou
em 1996 para ajudar uma instituição - o Lar da
Fraternidade que cuida de portadores do vírus HIV. Mas
a idéia cresceu e, ao longo desses treze anos deixou
lembranças marcantes.
Todos
os domingos, Fernando Abreu vai à missa acompanhado da
mãe, esposa, filhos e netos. Também é tradição
da família participar das atividades desenvolvidas pela
Ação Social Arquidiocesana - ASA. Neste domingo
, 14 de junho, Fernando foi pela 14ª vez à Caminhada
da Fraternidade. “Meus filhos cresceram vendo a caminhada
se desenvolver junto com eles. Nesse período também
ganhamos netos que desde pequeninos nos acompanham”, afirmou.
Ele e outras
65 mil pessoas percorreram as avenidas Frei Serafim, João
XXIII e Nossa Senhora de Fátima em busca de fé.
Foi o que disse Dona Maria das Graças de 92 anos que
também participa da caminhada desde a 1ª edição.
Nem a idade, nem os problemas de saúde a impediram de
fazer à pé todo o caminho. “Aqui não
existe idade, sexo, nem cor. Todos somos iguais perante a sociedade
e o que nos une é a vontade de ajudar”, afirmou
o ambulante Francisco Pereira que vestido com a camisa da caminhada
aproveitou para vender água.
A organização
da caminhada também ofereceu água a R$ 1 e refrigerante
a R$ 1,50 para os transeuntes. Todo o dinheiro arrecadado vai
para o montante das instituições que a caminhada
beneficia. Junto a esse dinheiro, também se soma a venda
dos kits que cada participante compra por R$ 12. A água,
os kits e toda a infraestrutura são praticamente bancados
pelos patrocinadores, 30 ao todo. Ano passado mais de R$ 280.000
foram arrecadados e doados para o Centro Maria Imaculada, Casa
Frederico Ozanan, Lar de Misericórdia, Lar da Fraternidade
e Projeto Periferia.
Com
o aumento no número de participantes nesta edição
da Caminhada da Fraternidade, a expectativa é que a arrecadação
aumente ainda mais e o número de instituições
beneficiadas também. Pela 1ª vez Socorro da Silva
resolveu ir à caminhada. Há dois anos um parente
bem próximo da dona-de-casa precisou dos serviços
oferecidos no Lar da Fraternidade, que dá apoio a portadores
do vírus HIV. “Algumas pessoas só se dão
contam do quanto é importante doar quando estão
em situação vulnerável, foi o meu caso.
Agora, posso ajudar não só quem tem AIDS, mas
também a todos que precisam”, concluiu.
Anjos
do asfalto
Centenas de pessoas estão envolvidas direta e indiretamente
na organização da Caminhada. São verdadeiros
anjos, que propiciam uma melhoria na qualidade de vida daqueles
que dependem das instituições beneficiadas através
dos recursos obtidos com o evento.
Alguns
desses anjos já estão há anos envolvidos
na realização da Caminhada da Fraternidade, fazendo
os mais diversos serviços. É o caso do dentista
Kássio Vieira que começou a colaborar na 4ª
edição, quando tinha apenas 13 anos. Este ano,
Kássio se propôs a vender fichas de água
e refrigerante. Perguntado sobre os motivos que o levaram a
tomar esta atitude de solidariedade, ele responde, rapidamente:
“Por que faz bem!”
A frase define exatamente o sentido de quem organiza a Caminhada.
São famílias inteiras que disponibilizam tempo
e não recebem nada, além da satisfação
em ajudar. Jovens da Pastoral da Juventude, homens e mulheres
do Encontro de Casais e voluntários de todas as paróquias
divididos em coordenação geral, equipes de som
e evolução, apoio, junta médica, vendas,
patrocínio e equipe de liturgia.
Após todo o trabalho da caminhada, estas equipes prestam
conta do dinheiro arrecadado em vendas dos kits do evento e
com os patrocinadores. A coordenação geral define
a quantidade que vai para cada abrigo e ainda é possível
guardar R$ 50.000,00 ( cinquenta mil reais) que são destinados
a financiamentos de pequenos projetos sociais.
A
utilização dos recursos é divulgada na
imprensa regional pela coordenação. “Mas
quem pensa que depois de todo esse trabalho nós descansamos,
está enganado. Após o evento em si, a prestação
e contabilização dos recursos começamos
a organizar a próxima caminhada. É a esperança
que faz acontecer”, concluiu Padre Tony Batista, coordenador
da Caminhada.