Publicada em 15 de junho de 2009
* Reportagem especial:
Alexandra Teodoro - DRT 1514

Adultos, jovens, crianças e idosos. Nessa caminhada o que faz diferença não é cor, credo ou idade. Juntos eles somam mais de 60 mil pessoas percorrendo avenidas, ruas, pontes. A travessia marcada ao passo da solidariedade representa a esperança que faz acontecer. Já são treze anos da Caminhada da Fraternidade, um evento que começou em 1996 para ajudar uma instituição - o Lar da Fraternidade que cuida de portadores do vírus HIV. Mas a idéia cresceu e, ao longo desses treze anos deixou lembranças marcantes.

Todos os domingos, Fernando Abreu vai à missa acompanhado da mãe, esposa, filhos e netos. Também é tradição da família participar das atividades desenvolvidas pela Ação Social Arquidiocesana - ASA. Neste domingo , 14 de junho, Fernando foi pela 14ª vez à Caminhada da Fraternidade. “Meus filhos cresceram vendo a caminhada se desenvolver junto com eles. Nesse período também ganhamos netos que desde pequeninos nos acompanham”, afirmou.

Ele e outras 65 mil pessoas percorreram as avenidas Frei Serafim, João XXIII e Nossa Senhora de Fátima em busca de fé. Foi o que disse Dona Maria das Graças de 92 anos que também participa da caminhada desde a 1ª edição. Nem a idade, nem os problemas de saúde a impediram de fazer à pé todo o caminho. “Aqui não existe idade, sexo, nem cor. Todos somos iguais perante a sociedade e o que nos une é a vontade de ajudar”, afirmou o ambulante Francisco Pereira que vestido com a camisa da caminhada aproveitou para vender água.

A organização da caminhada também ofereceu água a R$ 1 e refrigerante a R$ 1,50 para os transeuntes. Todo o dinheiro arrecadado vai para o montante das instituições que a caminhada beneficia. Junto a esse dinheiro, também se soma a venda dos kits que cada participante compra por R$ 12. A água, os kits e toda a infraestrutura são praticamente bancados pelos patrocinadores, 30 ao todo. Ano passado mais de R$ 280.000 foram arrecadados e doados para o Centro Maria Imaculada, Casa Frederico Ozanan, Lar de Misericórdia, Lar da Fraternidade e Projeto Periferia.

Com o aumento no número de participantes nesta edição da Caminhada da Fraternidade, a expectativa é que a arrecadação aumente ainda mais e o número de instituições beneficiadas também. Pela 1ª vez Socorro da Silva resolveu ir à caminhada. Há dois anos um parente bem próximo da dona-de-casa precisou dos serviços oferecidos no Lar da Fraternidade, que dá apoio a portadores do vírus HIV. “Algumas pessoas só se dão contam do quanto é importante doar quando estão em situação vulnerável, foi o meu caso. Agora, posso ajudar não só quem tem AIDS, mas também a todos que precisam”, concluiu.

Anjos do asfalto

Centenas de pessoas estão envolvidas direta e indiretamente na organização da Caminhada. São verdadeiros anjos, que propiciam uma melhoria na qualidade de vida daqueles que dependem das instituições beneficiadas através dos recursos obtidos com o evento.

Alguns desses anjos já estão há anos envolvidos na realização da Caminhada da Fraternidade, fazendo os mais diversos serviços. É o caso do dentista Kássio Vieira que começou a colaborar na 4ª edição, quando tinha apenas 13 anos. Este ano, Kássio se propôs a vender fichas de água e refrigerante. Perguntado sobre os motivos que o levaram a tomar esta atitude de solidariedade, ele responde, rapidamente: “Por que faz bem!”

A frase define exatamente o sentido de quem organiza a Caminhada. São famílias inteiras que disponibilizam tempo e não recebem nada, além da satisfação em ajudar. Jovens da Pastoral da Juventude, homens e mulheres do Encontro de Casais e voluntários de todas as paróquias divididos em coordenação geral, equipes de som e evolução, apoio, junta médica, vendas, patrocínio e equipe de liturgia.

Após todo o trabalho da caminhada, estas equipes prestam conta do dinheiro arrecadado em vendas dos kits do evento e com os patrocinadores. A coordenação geral define a quantidade que vai para cada abrigo e ainda é possível guardar R$ 50.000,00 ( cinquenta mil reais) que são destinados a financiamentos de pequenos projetos sociais.

A utilização dos recursos é divulgada na imprensa regional pela coordenação. “Mas quem pensa que depois de todo esse trabalho nós descansamos, está enganado. Após o evento em si, a prestação e contabilização dos recursos começamos a organizar a próxima caminhada. É a esperança que faz acontecer”, concluiu Padre Tony Batista, coordenador da Caminhada.